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Autismo e Canabidiol CDB Abril Azul

Dia 02 de abril marca o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Estabelecido pela ONU em 2007, tem por objetivo difundir informações a fim de reduzir a discriminação e o preconceito sofrido por indivíduos com o transtorno. As ações se estendem durante todo o mês com a campanha Abril Azul.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), popularmente chamado de autismo, é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits persistentes na comunicação e interação social, além de padrões comportamentais restritos e/ou repetitivos. A capacidade intelectual de um indivíduo com TEA pode variar entre deficiência grave a desempenho superior. Suas causas ainda são incertas, mas estudos têm demonstrado que estão majoritariamente associadas à fatores genéticos, com pouca influência de fatores ambientais. De acordo com estimativa do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), cerca de 1 a cada 44 crianças são identificadas como portadoras do transtorno, com ocorrência maior em crianças do sexo masculino 1.

Apesar da alta prevalência, ainda não há medicamentos aprovados para o tratamento dos sintomas primários do TEA. A farmacoterapia se aproveita de medicamentos utilizados em outras condições, como antidepressivos, ansiolíticos, estimulantes, antipsicóticos, anticonvulsivantes, entre outros, dentro do que é chamado de “uso off-label”. O manejo pede uma abordagem multidisciplinar, envolvendo também intervenções comportamentais, pedagógicas e terapias complementares de maneira individualizada.

Estudos demonstram que o Sistema Endocanabinoide possui um papel fundamental na neuromodulação, no controle de emoções e de comportamentos sociais. Isso tem chamado a atenção de pesquisadores para a sua possível relação com o TEA. Estudos recentes apontam que uma disfunção de componentes deste sistema possa estar associada a algumas características do transtorno 2, 3, 4.

Neste contexto, o uso de produtos derivados da Cannabis tem se mostrado uma alternativa promissora, já que atuam principalmente por meio do Sistema Endocanabinoide. Estudos recentes mostram que o uso de extratos ricos em CBD pode promover ganhos sociais e comportamentais significativos, melhorando déficits de interação e comunicação, sintomas relacionados à hiperatividade e déficit de atenção, distúrbios do sono e comportamentais. Os benefícios também podem se estender para ganhos cognitivos, motores e de autonomia 5, 6, 7, 8.

Com a crescente incidência do transtorno e a falta de uma medicação específica, a necessidade de uma terapia farmacológica efetiva e segura é cada vez maior. Para que isso seja possível, é preciso compreender melhor os mecanismos envolvidos na fisiopatologia da doença. Ao mesmo tempo, cresce o interesse em investigar o potencial terapêutico dos canabinoides. Com baixo índice de efeitos colaterais, é possível que os produtos derivados da Cannabis se tornem uma opção cada vez mais plausível no tratamento do TEA. Mais estudos devem ser feitos para comprovar os possíveis benefícios e riscos associados 9.

Escrito por Gabriel Barbosa – Supervisor de P&D e Assuntos Regulatórios na HempMeds Brasil.

 

 

 

 

Referências

[1] Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Dados e Estatísticas sobre Transtorno do Espectro Autista. https://www.cdc.gov/ncbddd/autism/data.html. (Acesso: 07 de abril de 2022).

[2] Aran A et al. Níveis mais baixos de endocanabinóides circulantes em crianças com transtorno do espectro do autismo. Mol Autismo. 30 de janeiro de 2019;10:2.

[3] Chakrabarti B et al. Sinalização endocanabinóide no autismo. Neuroterapêutica. 2015; 12: 837-847.

[4] Schultz S, Siniscalco D. Envolvimento do sistema endocanabinóide no transtorno do espectro do autismo: Uma visão geral com potencial aplicação terapêutica. AIMS Ciência Molecular. 2019; 6: 27-37

[5] Aran A et al. Breve Relatório: Cannabis Rico em Canabidiol em Crianças com Transtorno do Espectro Autista e Problemas Comportamentais Graves – Um Estudo Retrospectivo de Viabilidade. J Autism Dev Disord. 2019 mar;49(3):1284-1288.

[6] Aran A et al. Tratamento com canabinóides para autismo: um estudo randomizado de prova de conceito. Mol Autismo. 3 de fevereiro de 2021;12(1):6.

[7] Barchel D et al. Uso oral de canabidiol em crianças com transtorno do espectro autista para tratar sintomas relacionados e comorbidades. Frente Farmacol. 9 de janeiro de 2019; 9:1521.

[8] Fleury-Teixeira P et al. Efeitos do extrato de cannabis sativa enriquecido com CBD nos sintomas do transtorno do espectro autista: um estudo observacional de 18 participantes submetidos a uso compassivo. Neurol Frontal. 31 de outubro de 2019;10:1145.

[9] Holdman R, Vigil D, Robinson K, Shah P, Contreras AE. Segurança e eficácia da cannabis medicinal no transtorno do espectro do autismo em comparação com medicamentos comumente usados. Cannabis Cannabinoid Res. 24 de agosto de 2021.