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Cânhamo: informações e curiosidades

Estudos indicam que a Cannabis teve origem em regiões próximas do Planalto Tibetano há cerca de 28 milhões de anos. Seu parente mais próximo é o lúpulo, ingrediente muito utilizado na fabricação de cerveja.

Estima-se que a planta esteja entre as espécies vegetais cultivadas há mais tempo pelo ser humano, com pelo menos 10.000 anos de evolução ao nosso lado. No início, era utilizada principalmente como fonte de alimento e para obtenção de fibras. Mais tarde, pode-se dizer que fez parte até da descoberta do território brasileiro por europeus, pois essas mesmas fibras eram matéria prima para a fabricação das velas e cordames de embarcações que primeiro chegaram ao Brasil. A planta em si teria sido introduzida no nosso país cerca de 50 anos depois, em 1549, quando sementes foram trazidas por escravos, escondidas em bonecas de pano.

Sua nomenclatura e classificação são objeto de bastante discussão no mundo todo. É errado, por exemplo, assumir que cânhamo são as plantas de uma variedade chamada de Ruderalis. Também é errado afirmar que é de uma espécie distinta, visto que o gênero Cannabis compreende apenas uma: a Cannabis sativa. Suas variações estão em nível de subespécie ou variedade. No Brasil, a grande questão é tentar diferenciar o que é cânhamo e o que é maconha.

A Cannabis possui uma composição química complexa. Pode apresentar desde variedades com altos teores de THC e baixo CBD, até plantas com teores baixos de THC e altos de CBD. Em algumas, o nível de THC é tão baixo que dificilmente causará qualquer efeito alterador de consciência, portanto possui pouco potencial de ser utilizada como substância de abuso. Por este motivo, e guiado pelo interesse econômico, alguns países adotam medidas legais para diferenciar um tipo de outro, permitindo maior flexibilização da produção de variedades que serão destinadas somente à indústria, movimentando um mercado milionário e em franca expansão.

É o que acontece nos EUA que, no final de 2018, regulamentou a produção de cânhamo em nível federal, mantendo plantas com maiores níveis de THC federalmente proibidas. Lá, os dois tipos de plantas são distinguidos na lei que ficou conhecida como a Farm Bill. Classificam como “hemp” plantas com níveis menores que 0,3% de THC, e “marijuana” plantas com níveis maiores desta substância.

Não há distinção legal entre elas no Brasil, então acaba-se adotando o que é visto lá fora. Assim, quando a palavra cânhamo for mencionada, provavelmente o locutor está se referindo a essas variedades com níveis quase desprezíveis de THC.

Devido a sua versatilidade, o cânhamo tem sido utilizado de diferentes formas por comunidades ao redor do mundo. Confira as diversas utilizações ao longo da história clicando aqui.

Variedade de produtos

Você provavelmente sabe que o cânhamo pode ser utilizado para fins medicinais, mas já ouviu falar no concreto de cânhamo? E nas roupas feitas a partir dele? Seus produtos podem ser obtidos das flores, do caule ou das sementes.

Na produção de alimentos de alto valor nutricional as sementes são as mais empregadas. Do caule se obtém as fibras, importantes na indústria têxtil, construção civil, papel e celulose. Das flores se obtém os canabinoides e outras substâncias bioativas de interesse farmacêutico.

Essas e outras aplicações fazem do cânhamo uma das plantas mais versáteis que se tem conhecimento, servindo como matéria prima para uma infinidade de produtos biotecnológicos. A urgência por alternativas sustentáveis aos produtos de uso comum e grande potencial poluidor, como plásticos, somada à flexibilização da legislação referente à planta em vários países, estão impulsionando novas pesquisas e a criação de um novo mercado baseado em biomateriais derivados dessa planta.

Saiba mais sobre alguns dos produtos obtidos a partir do cânhamo:

Hempcrete: o Cânhamo na Construção Civil

Fibra de cânhamo tecerá o futuro da indústria têxtil

Papel de cânhamo e suas vantagens

 

Escrito por Gabriel Barbosa – Supervisor de P&D da HempMeds Brasil.