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Cannabis com fins medicinais pode auxiliar em quadros de síndrome demencial

A realidade enfrentada por quem possui um familiar com alguma síndrome demencial é muito sensível. Os cuidados envolvem também cargas que vão além do tratamento do paciente e, portanto, abordar esse tema é relevante para todo um grupo de pessoas que passa a sofrer mudanças na rotina e no ambiente do lar. Encontrar melhora no quadro de alguém deveria ser um compromisso de toda a classe médica, mas infelizmente não é difícil encontrar relatos em consultórios sobre pessoas que já escutaram desistência por parte de alguns profissionais.

Dr. Renato Anghinah, neurologista e Chief Medical Officer da HempMeds relata que “muitos pacientes ou acompanhantes de pacientes em casos de doenças degenerativas neurológicas avançadas dizem já terem passado por outros colegas e terem escutado que simplesmente não tinha mais nada para fazer, que não tinha tratamento”. Tal tipo de fala não só é desoladora para quem espera ouvir algo de esperança, como também não é verdade. “Sempre há o que fazer por um paciente”, acrescenta Anghinah.


Cannabis medicinal como opção válida para demência

Para discutir o tema, na última quinta-feira, 18, a Dra Míriam Gondim Meira Tibo, que integra o Núcleo Avançado de Geriatria do Hospital Sírio Libanês e é prescritora de Cannanis medicinal desde 2020 foi convidada a falar no Case Report deste mês sobre a melhora de um paciente no quadro mais comum de demência, que é o Alhzeimer. “Eu sou uma entusiasta do tratamento pela medicina a base de Cannabis. Fiquei bem curiosa, comecei a estudar e desde o início da pandemia eu comecei a prescrever”, conta Tibo.

O caso apresentado pela Dra. Míriam é de um histórico de evolução de apenas cinco meses. O paciente, cujo nome é preservado, quando iniciou o tratamento em maio deste ano apresentava corpo enrijecido, sem mobilidade e sem fala. A família descrevia que os últimos dois anos foram vividos pelo paciente de maneira apática. O paciente é um senhor idoso, que depende principalmente dos cuidados do filho e a família buscou a especialista principalmente por ter ouvido, como relatado por Renato, de que o neurologista que prestava o atendimento tinha decretado que não havia mais o que se fazer pelo paciente.

O fato é que já em outubro a melhora do paciente que iniciou tratamento com Cannabis medicinal foi bastante visível. Em relato animador, a médica afirma que o paciente já consegue dar pequenos passos com auxílio de outra pessoa, também apresentou melhoras no sono e até surpreende às vezes cantando melodias ou respondendo com um simples “oi”.

“A minha sensação é que a família está muito grata, eles estão muito contentes, especialmente com o fato de o paciente ter voltado a interagir. Geralmente ele ficava quieto, sem falar nada e, então, ele respondeu bom dia. Pra família, essas pequenas coisas em um paciente assim com demência avançada, que estava praticamente parado, sem interação, apático, só sendo nutrido, cuidado, é extremamente gratificante, é como se fosse assim, ‘nossa, que bom, o meu pai ainda está aí’, porque antes a sensação é de que só estava o corpo presente. São pequenas coisas que trazem um alento para a família. E pra essa família o neurologista tinha dito que não tinha mais nada para fazer”, comenta Mírian.


Cannabis medicinal pode ajudar toda a família
A evolução da ciência tem o foco de promover saúde a quem precise direta ou indiretamente. Estudar e debater aplicação da Cannabis medicinal é encontrar esperança e alívio em quem não pode e nem deseja desistir. Assim, Anghinah finaliza: “dar qualidade de vida ao paciente é fundamental e há vários estudos de derivados da Cannabis medicinal que mostram que quando ocorre a melhora da qualidade de vida do paciente, o impacto no cuidador é brutal, ele é largamente sentido”.

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