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Já ouviu falar dos canabinoides CBG e CBN?

Se você acompanha nossas redes sociais e nosso blog, certamente já leu bastante sobre CBD e THC. Até o momento, esses são os dois canabinoides com maior atenção da comunidade médica e científica. Uma das razões é por estarem presentes em grande quantidade nas plantas da Cannabis, o que faz com que sua extração seja economicamente viável, além de permitir que sejam explorados com mais facilidade.

Mas a Cannabis não se limita a esses dois canabinoides. São mais de 140 fitocanabinoides diferentes já descritos, cada um com particularidades químicas que provocam diferentes efeitos terapêuticos. Estes outros membros da classe são frequentemente chamados de canabinoides minoritários, mas sua presença nos extratos pode ser determinante no sucesso da terapia, mesmo que estejam presentes em baixa quantidade. Hoje vamos falar um pouco mais sobre outros dois representantes dessa classe: o CBG (canabigerol) e o CBN (canabinol).

Durante o período de floração da planta, várias reações químicas acontecem e novas substâncias são formadas de acordo com os estímulos que a planta recebe. Diversas modificações químicas são necessárias para que sejam formados os canabinoides. E mesmo depois de formados, outras reações podem acontecer para transformá-los ainda em outros canabinoides. É o caso do CBG: sua forma ácida, produzida na planta, é indispensável para a formação do CBD e do THC, entre outros. Por este motivo, o CBG é frequentemente chamado de “bloco de construção” de outros canabinoides, ou seja, é uma molécula precursora. Antes de ser CBD ou THC, eles já foram CBG!

Estudos têm mostrado que o CBG tem características que parecem estar “entre” o THC e o CBD se avaliarmos seus efeitos sobre alguns receptores, mas também têm particularidades que o fazem único. Seu potencial terapêutico está bem próximo do que já conhecemos na medicina canabinoide: desordens neurológicas e doenças inflamatórias. Mas o CBG também tem sido estudado enquanto potencial agente antibiótico.

Enquanto o CBG pode ser visto como o “começo” da formação dos canabinoides, o CBN está mais para o ponto final do processo. Ele é tido como um produto de degradação de outros canabinoides, sobretudo do THC. Isso quer dizer que o THC pode se transformar em CBN se sofrer ação de determinado agente, como exposição à luz ou oxigênio. Por este motivo, o CBN tem sido considerado um marcador de qualidade do produto: maiores níveis deste canabinoide geralmente indicam um produto com maior idade de fabricação ou com alguma falha durante o processo de armazenagem.

Mas isso não quer dizer que o CBN não tenha potencial terapêutico. Relatos anedóticos o apontam como o “canabinoide do sono”, com possíveis propriedades mais significativas do que THC ou CBD quando o assunto é indução do sono. Embora tal relato seja bem comum em países onde os produtos são de mais fácil acesso, como nos EUA, ainda não há evidência científica que comprove essa ação. Um estudo de 1975, no entanto, mostrou que a adição de CBN em produtos com THC fez com que os usuários se sentissem um pouco mais alterados, com mais tontura e sonolência. Sua aparente maior relação com o receptor canabinoide tipo-2 (CB2) também aponta para uma possível ação imunomoduladora e anti-inflamatória.

A comunidade científica ainda carece muito de evidências mais robustas acerca do CBG e do CBN. Dados mais antigos precisam ser revisitados e revalidados, como tem sido feito com os canabinoides mais comuns. Ainda não há resultados de ensaios clínicos significativos, portanto não há como afirmar suas aplicabilidades ou indicações clínicas. Enquanto ainda são uma incógnita perante a ciência, alguns profissionais e pacientes já o veem com bons olhos na prática clínica, mas ressaltamos que essa escolha deve ser fortemente ponderada, avaliada e muito bem acompanhada pelo médico responsável.

Escrito por Gabriel Barbosa – Supervisor de P&D da HempMeds Brasil.