X

Whatsapp Chat

Fitocanabinoides e principais benefícios terapêuticos

Ao longo dos séculos, diferentes civilizações já utilizavam medicamentos produzidos a partir da Cannabis sativa para o controle e tratamento de diferentes sintomas e doenças, como a dor crônica, espasmos, insônia, ansiedade, depressão, perda do apetite, náuseas e convulsões. De modo geral, tanto as evidências informais e mais recentemente, importantes estudos clínicos, apontam de maneira inquestionável o uso benéfico da planta para fins medicinais. O ponto crucial para essa abordagem terapêutica se deu a partir da década de 1960, com a descoberta dos dois princípios ativos majoritários presentes na Cannabis sativa, as moléculas do tetrahidrocanabinol (THC) e do canabidiol (CBD). O THC foi extensamente estudado e rapidamente identificado como único composto responsável pelo efeito psicotrópico associado ao uso da planta. Além disso, através dos estudos sobre essa molécula, se deu a descoberta do Sistema Endocanabinoide, que é o principal alvo de ação farmacológica e terapêutica associado ao uso de produtos à base de cannabis medicinal.

De fato, os primeiros estudos científicos identificaram que embora o THC fosse detentor dos principais efeitos eufóricos associados ao uso da cannabis, não havia razão para acreditar que esse fitocanabinoide também não fosse responsável por alguns importantes efeitos terapêuticos da planta, principalmente como estimulador do apetite, antiemético, antiespasmódicos e analgésico. Entretanto, a aplicação do THC na clínica pode apresentar uma possibilidade terapêutica mais limitada por conta dos seus efeitos colaterais. O mesmo não acontece com o CBD, um fitocanabinoide isento de efeito psicomimético, e por isso mais seguro de ser aplicado em diferentes quadros. Em se tratando do CBD, as pesquisas também mostraram o importante potencial terapêutico dessa molécula, principalmente em quadros de doenças neurológicas, especialmente em pacientes pediátricos, como a epilepsia e o transtorno do espectro autista. Embora THC e CBD sejam canabinoides presentes na Cannabis sativa, é interessante apontar que ambos possuem alvos de ação farmacológica bastante distintos, onde para além do Sistema Endocanabinoide, o CBD é capaz de atuar sobre uma gama de outros sistemas fisiológicos e desse modo ser aplicado para o tratamento de diferentes doenças, atuando como um ansiolítico, antidepressivo, neuroprotetor, antipsicótico, anticonvulsivante, anti-inflamatório e outros.

Mas além do THC e do CBD, atualmente são também investigados os potenciais terapêuticos de outras moléculas presentes na Cannabis sativa, principalmente os demais fitocanabinoides que já foram identificados, mas também os terpenos e flavonoides. Dentre os demais fitocanabinoides, têm recebido bastante destaque: a pesquisa com o canabigerol (CBG) e seu papel anticonvulsivante, analgésico, anti-inflamatório e antidepressivo; o canabicromeno (CBC) que vem sendo descrito como um analgésico, anti-inflamatório e neuroprotetor; o canabinol (CBN), que é um subproduto do THC e apresenta importante efeito sedativo, anticonvulsivante, anti-inflamatório e antibiótico; a canabidivarina (CBDV) e seu efeito anticonvulsivante e antiemético; bem como alguns outros fitocanabinoides. Em suma, os estudos com esses canabinoides mais recentes são realizados principalmente em modelos animais, mas as descobertas relacionadas a sua farmacologia possibilitam direcionar e prever sua aplicação em uma grande gama de quadros patológicos, desde doenças neurológicas, crônicas e inflamatórias.

Sendo uma observação muito importante dentro do entendimento de ação terapêutica de medicamentos e produtos à base de cannabis, o fato de que o uso de um ativo isolado é diferente do uso de um extrato, onde se tem a ação sinérgica de diferentes moléculas (fitocanabinoides, terpenos e flavonoides), e a esse fenômeno é dado o nome de Efeito Comitiva. Tem sido avaliado, tanto por percepções anedóticas, mas também através de estudos com metodologia científica, que o Efeito Comitiva é associado a um uso de menores doses de ativos e um maior espectro de ação farmacológica e, sendo assim um maior uso terapêutico desses extratos. E nesse sentido, alguns estudos clínicos têm sido realizados de modo a investigar o benefício do uso desses extratos.

Por fim, é sempre importante frisar que algumas doenças possuem estudos completos e de grande impacto onde a eficiência terapêutica do uso da cannabis medicinal é comprovado, como por exemplo a ação anticonvulsivante em diferentes tipos de epilepsias e o quadro de controle de espasmos musculares recorrentes em pacientes com esclerose múltipla. Outros estudos apontam através de níveis de evidências menores, o ganho na utilização da cannabis em pacientes portadores de dores crônicas, náuseas, perda do apetite, transtorno do espectro autista, ansiedade, depressão, dependência química, transtornos de humor, endometriose, insônia, glaucoma e cuidados paliativos para o ganho de qualidade de vida do paciente em quimioterapia ou ainda para pacientes portadores de doenças neurodegenerativas. Colocando assim uma grande luz sobre a aplicabilidade, eficácia e segurança dos medicamentos e produtos a base de cannabis.

mslluzia

 

 

Escrito por Luzia Sampaio – MSL da HempMeds Brasil

 

 

 

 

 

ACESSE MAIS CONTEÚDOS:

Já ouviu falar dos canabinoides CBG e CBN?

Conhecendo o sistema endocanabinoide